quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ruína


E mais uma vez aquela dor, mas não sou daquelas que gosta das dores pequenas, se é pra sofrer que seja por completo. Chorei o dia todo por conta de uma idiotice, falta de atenção, a falta do pensamento antes de praticar o ato. Chorei por não saber como seria meu futuro, se ainda o teria pelo resto da minha vida (você havia me prometido que isso aconteceria); chorei, pois não sabia o que estava por vir, não sabia qual seria sua decisão, chorei por simplesmente depender de você e não ter nada, absolutamente nada, que eu pudesse fazer.
Precisava limpar a alma e nada melhor do que aquele banho, mas tinha que ser algum doloroso, aquela água estava mais quente do que a minha pele suportava, não lembrava mais se a dor maior era a sentimental ou a da pele; enquanto a água escorria só conseguia pensar em como cometer suicídio, não foram poucas as ideias, algumas até cabíveis, mas para isso sei que sou fraca, sei que não conseguiria chegar ao fim, não estava pensando na dor dos outros, estava pensando em esgotar a minha.
Troquei-me e cai, simplesmente não conseguia levantar daquele chão frio, o choque térmico arrepiava cada pêlo que eu pudesse ter, e as lágrimas não cessavam, tentei segurá-las com a toalha, mas elas continuavam lá, escorriam, escorriam, escorriam.
Chegando ao meu quarto fecho os olhos, relembro todas as merdas, eu podia ter sido melhor, podia aprender com os erros, mas nada pra mim disso funcionava, já pensava que nunca chegaria meu final feliz se não fosse a morte rápida; começo a girar e girar e cada vez mais rápido, aquela tontura vai aumentando, antes era só na cabeça depois de algum tempo meu estômago já revirava. Sentei e a tontura não passou, chegou a tontura do desmaio e era o que eu mais queria, queria que em um desmaio eu batesse a cabeça e simplesmente não acordasse nunca mais, não seria um suicídio, seria acidente, não poderiam me culpar; não consegui me ferir.
E então, o que mais fazer pra sentir dor; comer algo sabendo que não ia descer? (ato bobo demais) O que mais aumentaria a dor? Já ouvia aquelas músicas melancólicas de sempre, aquelas que sabia eu que me fariam chorar mais profundamente, aquelas que me faziam refletir, aquelas que iam me fazer parar para pensar em tudo, colocar numa balança e, apesar de não poder tomar uma decisão, descobrir o que era melhor pra mim.
E então, após tudo isso adormeci, ainda que em um travesseiro com cheiro de mar, adormeci, esperando uma resposta, esperando que o dia posterior pudesse ser melhor, que eu pudesse me concentrar, que eu pudesse ser mais positivista.
Sonhei, sonhei que tudo que eu queria acontecia, sonhei que estava com você, sonhei que continuaria com você e que só entraríamos num sono profundo depois de muitos anos de convivência.

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