quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Segredo


Era uma noite qualquer se não fosse pela festa que ocorreria mais tarde, a adrenalina rolava nas minhas veias: meus pais nem imaginavam o que eu pretendia fazer. Encontramos-nos, minhas amigas e eu, na casa da mãe mais liberal; a bebida estava lá e suas misturas também, fritamos batata pra forrar o estômago.
Decidimos nos arrumar, afinal estávamos indo ao gordo e precisávamos disso, maquiagem pronta. Na garrafa ainda havia um resto, resolvemos “matar”; minha vez, uma golada só, minha vista nebulou, achei melhor me apoiar na parede e esperar o enjôo passar. Não tínhamos noção da hora que voltaríamos.
Chegando lá: uma tequila para animar, não me sentia bêbada, estava feliz e queria me manter assim. Fugimos de uns parentes e resolvemos parar na tenda eletrônica, isso quando percebemos que o perigo já havia passado: meus pais não tinham a mínima idéia da onde eu estava e, então, eu não poderia levantar suspeita, se meus primos me vissem e deixassem escapar era o meu fim.
Aquela música eletrônica que entorpece e eis que vejo você dançando, achei meio estranho o jeito, mas a beleza me impressionou; desisti: ou era gay e eu perderia a viagem ou era muita areia para o meu caminhãozinho. Minhas amigas insistiram e descobriram sua opção sexual, minha vez de entrar na história. Conversamos um pouco, ficamos.
No gordo nunca ficamos em uma tenda só, gostamos de transitar, ver as pessoas. Esbarramos-nos novamente, mais beijos e carícias, dessa vez passei o número do meu celular, sem esperanças da ligação vir a acontecer.
Fomos embora às 9h e minha ficha ainda não tinha caído: você era gato demais. Mais tarde, naquele mesmo dia, uma surpresa, sua mensagem, dizendo que havia pensado em mim e me pediu para adicionar no MSN.
Você contou muitas historinhas e a cada conversa eu suspeitava das coisas que você dizia, mas ainda queria ver até que ponto você iria. Depois de um tempo marcamos um encontro, fui com amigas por medo de um seqüestro ou sei lá. Você me deu um bolo.
Ainda assim conversávamos, muito raramente, você diz ser ocupado e viajar demais, até um convite para ir para a Itália eu recebi... Depois de mais um tempo marcamos de novo, dessa vez nem acreditei que viria. Fui ao seu encontro, dessa vez sozinha e com mais medo. Você estava lindo, mais lindo do que eu podia lembrar, além disso, muito estiloso, forte, me mostrava alguma segurança. Quando me viu desceu do carro, a chuva nos molhava, passamos por vários assuntos aleatórios, ficou bravo com um desconhecido que abaixara o vidro do carro e me dera um sorriso. Você tinha que ir, nos beijamos e dessa vez senti mais vontade.
Voltei pra casa encharcada e parei pra pensar no que você tinha dito: qual era a necessidade da minha virgindade, o que havia de bom nas minhas unhas compridas?
Talvez você seja um gigolô ou um aliciador de menores, tenho medo de fazer um convite pra vir aqui em casa e você ser um ladrão, tá, isso já é surto, porém não posso arriscar, não acredito em meia palavra que diz, não tem condição e essas dúvidas todas me encantam.
Disse-me que quando eu fizer 18 anos quer ser meu namorado, me levar por longas viagens. Não acredito em nada do que diz e mesmo você podendo fazer mal a mim eu ainda quero tentar entender o que passa na sua cabeça, descobrir a verdade, por isso insisto por mais um encontro, queria poder avaliar suas atitudes ou sei lá, apenas conhecer o seu eu verdadeiro. O que será que esconde?
Suas falas são pervertidas, seu beijo intenso e doce, e esse mistério todo é o que torna a história mais divertida e contagiante, quem sabe eu deva entrar no seu carro e correr o risco, se tudo fosse verdade seria lindo passar o resto da vida nos seus braços, eu deveria aproveitar a minha vida, mas prefiro manter o pé no chão e evitar uma confusão maior ainda.
Europeuzinho, ainda descubro o que você esconde.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Para Lívia


Acabava de acordar com a melhor sensação que havia sentido, um formigamento, parecia que borboletas rondavam seu estômago.Havia sonhado.
Continuou deitado em sua cama com os olhos fechados, implorando pra que sonhasse denovo. Havia apenas um motivo pra ele querer sonhar denovo.
Ela estava linda, com o sorriso de sempre, envolvida pelos seus braços. Beijos e carinhos enchiam de sentimentos a ocasião.
Apesar de ele negar, percebia que já tinha caído nas traquinagens do cupido, apaixonara-se por uma garota incrível.
Isso o assutava, tinha medo, vivia na defensiva, mas pegou o telefone, pensando em ligar, dizer tudo o que sentia. Mas o medo foi maior. Guardou o telefone.
Passou o dia pensando em fazer uma visita, mas ele já tinha passado o fim de tarde do dia anterior na casa dela. Talvez sonhara porque queria que todos os seus finais de tarde fossem agradáveis como aquele.
Conversaram muito no entardecer anterior, em assuntos atropelados que misturavam-se em risadas. Queria tentar algo, mas ele sempre vive na defensiva, achou melhor guardar tudo aquilo dentro do peito.
Quem sabe um dia, ela saberá o quanto ele está gostando dela. Seus amigos dizem que ele está "gamado", ele nega, diz que ela não parece afim.
Porém realmente, seus amigos estão certos. No fundo ele sabe disso.
Ela diz que ele não deveria se importar com ela. Ele a contraria, se importa sim, vê mais do que uma menina que escreve textos melancólicos.
Está realmente encantado, e não se importa com o que está pra vir, mas adoraria sentir denovo as borboletas que nunca rondam seu estômago.


Por Léllis

Tormento


O pior pesadelo que eu posso ter é sonhar com você. Vi-me em seus braços e tudo parecia tão romântico até você me dizer que todos éramos estrelas e que ao mesmo tempo em que estava comigo era com ela que você sentia e queria estar. Não sei se suporto essa agonia todas as noites, não quero isso pra mim, mas os pensamentos são mais fortes e eu já não sei como lidar com tudo isso.
Preciso que você saia de mim, preciso te esquecer, mas ao mesmo tempo quero tudo de volta e essas recordações me trazem o que eu desejava para o resto da minha vida, volta pra mim.
E de nada adianta o tempo, ele não me fará te esquecer, já dei muito tempo a ele e nada até agora, até quando terei que esperar a minha libertação? Na verdade o tempo não apaga nada, ele só nos faz parar de pensar no que não nos faz bem, não sei por que esse maldito tempo ainda não resolveu agir em mim.
Então acordei, precisava de um banho gelado, desses que apesar de doer na pele fazem você se sentir limpo por dentro, esses que trazem o esquecimento por alguns momentos. A água escorria fria pelo meu rosto, meus dentes tremiam e a única coisa quente que eu sentia eram as lagrimas que estavam a descer pelo meu rosto. Não conseguia me manter em pé, fui caindo, aos poucos, até alcançar o chão e por lá fiquei, a dor parecia mais forte e agora me sentia livre e ao mesmo tempo presa, não conseguia mais levantar e isso começou a me transtornar, onde arrumar forças? Fechava os olhos e parecia que as coisas melhoravam, queria então estar com os olhos vendados, todos os dias.
Lembrei-me das coisas ruins, vi que nunca houve perfeição, você foi importante (e muito), mas já era hora de levantar e crescer, encarar outros problemas que estão por vir, afinal eu sou a única que não se encaixa por aqui.
Todo mundo encontra seu caminho, um dia, isso pode vir a demorar, mas não será por todo o sempre e se for vou ter que aprender a lidar com isso, aprender a ser feliz com a tristeza, aprender a ser forte nas maiores fraquezas; tudo uma questão de arranjar bons professores pelo caminho e sei que, se eu tiver força de vontade, encontro-os fácil em algum canto da cidade, em um ônibus lotado ou numa sala de bate-papo.
Quando falo você, não penso um alguém específico, penso nas pessoas que fizeram parte da minha vida, que me deram muitas alegrias, algumas infelicidades, pessoas importantes que, por um descuido meu, foram se perdendo pelo tempo.
E a dor aumenta agora, as conversar não são suficientes, os amigos não conseguem entender; ninguém entende os problemas alheios e a minha resposta não é a mesma que a sua, nossos pensamentos não batem e não vamos chegar a lugar algum.
Enquanto o esquecimento não vier continuarei me remoendo por dentro, procurando uma maneira diferente de não pensar em você, de você não estar na minha cabeça, nos meus sonhos, num pedaço do meu coração.